Leia prévia de Black Ice!

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Becca divulgou em sua conta no twitter uma prévia de seu mais novo livro, Black Ice! Lembrando que o livro será publicado pela Intrínseca no Brasil, e será lançado dia 07 de outubro nos Estados Unidos.

Leia a prévia clicando em ‘continue lendo’:

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Vestuário perfeito para 7-Eleven.

Dez minutos depois, estou na loja, enchendo um copo com Blue Raspberry Slurpee. Bebi um pouco e enchi o copo de novo. Willie Hennessey, que estava trabalhando na registradora, me olhou de cara feia.

“Meu Deus,” ele disse. “Por que você não se ajuda?”
“Já que você ofereceu,” eu disse alegremente, e coloquei o canudo em minha boca mais uma vez antes de reencher o copo.
“Devo manter a ordem e lei aqui.”
“Dois goles, Willie. Ninguém vai falir por causa de dois goles. Quando você virou um mal humorado?
“Desde que você começou a furtar Slurpee e fingir que você não consegue abastecer o carro, então que tenho que sair e encher o tanque para você. Toda vez que você entra, tenho vontade de me chutar.”

Eu enruguei o nariz. “Não quero minhas mãos cheirando a gasolina, Willie,” acrescentei com um sorriso simpático.
“A prática faz a perfeição,” ele murmurou.
Fui até as prateleiras procurar por Twizzlers e Cheerz-Its, pensando que se Willie não gostava de abastecer meu carro ele realmente deveria procurar um outro emprego quando a porta da frente fez um barulho. Nem escutei barulhos de passos antes que um par de calorosas mãos calejadas cobriram meus olhos por trás.

“Adivinha quem é?”

O familiar cheiro de sabão dele pareceu me congelar. Rezei para que ele não pudesse sentir meu rosto derreter sob seu toque. Por um longo tempo, não consegui achar minha voz. Ela parecia  se esquivar dentro de mim, batendo dolorosamente em minha garganta.

“Me dá uma dica,” eu disse, esperando que soasse como se estivesse entediada. Ou um pouco aborrecida. Qualquer coisa menos com dor.

“Pequeno. Gordo. Dentes grandes.” Sua provocante voz suave depois de todos esses meses. Parecia familiar e desconhecida ao mesmo tempo. Senti-lo tão perto me fez me sentir tonta nos nervos. Estava com medo de começar a gritar com ele, ali mesmo na 7-Eleven. Se eu deixasse que ele chegasse muito perto, estava com medo de não gritar com ele. E eu queria gritar – passei 8 meses praticando o que diria em minha cabeça e estava pronta para dizer em voz alta.

“Nesse caso, vou ter que ir com… Calvin Versteeg.” Soei educada, sem me importar. Tinha certeza. E não conseguia pensar em alivio maior.

Cal veio até mim e colocou o cotovelo na prateleira. Ele me deu um sorriso de lobo. Ele já havia dominado a coisa do charme a anos. Eu cairia por isso naquela época, mas eu sou mais forte agora.

Ignorando seu rosto lindo, eu dei uma de entediada mais uma vez. Ao que parecia, ele deixou seu travesseiro arrumar se cabelo essa manhã. Estava maior do que me lembrava. Nos dias mais quentes onde praticávamos tilha, quando suor pingava das pontas, seu cabelo estava da cor de casca de árvore. A memória fez algo dentro de mim doer. Deixei de lado minha nostalgia e olhei Cal com desinteresse. “O que você quer?”

Sem perguntar,  ele dobrou meu canudo de lado e tomou um gole. Ele limpou a boca com a parte de trás da mão. “Conte-me sobre esse acampamento.”

Tirei meu canudo de seu alcance. “Viagem de mochileiros.” Achei importante fazer a distinção. Qualquer um consegue acampar. Ser mochileiro requeria habilidade e coragem.

“Tem tudo que precisa?” ele continuou.
“E outras coisas também.” Eu encolhi os ombros. “Hey, uma garota precisa de gloss.”
“Vamos ser honestos.  Korbie nunca deixará você sair da cabine. Ela tem medo de ar fresco. E você não consegue dizer não para ela.” Ele disse sabiamente. “Eu conheço as garotas.”

Dei a ele um olhar de indignação.  “Vamos por uma semana. Nossa rota é de um milha.” Talvez isso fosse só um pouquinho exagerado. Aliás, Korbie concordou em não mais que duas milhas por dia, e insistiu que caminhássemos em círculos por Idlewilde, caso precisássemos de conforto ou TV a cabo. Mesmo eu nunca tendo realmente esperado viajar por uma semana inteira, planejei deixar Korbie e Bear na cabine por um dia e fazer minha própria jornada. Queria testar meu treinamento. Obviamente que agora que Calvin estava se juntando a nós, ele iria descobrir nossos verdadeiros planos bem a tempo, mas agora minha prioridade máxima era impressioná-lo. Estava cansada dele sempre insinuar que não tem razão para me levar a sério. Sempre poderia lidar com qualquer crítica que ele poderia me dar depois, insistindo que eu quis viajar por uma semana e Korbie estava me impedindo – Calvin não acharia essa desculpa forçada.

“Você sabe que muitas das trilhas estão cobertas de neve, não é? E os alojamentos ainda não abriram para a temporada, então pessoas estão escassas. Até o Jenny Lake Ranger Station está fechado. Sua segurança é responsabilidade sua – eles não garantem resgate.”

Eu o contemplei virando os olhos. “Não diga! Não farei isso completamente sem preparo, Calvin,” eu rebati. “Está tudo planejado. Ficaremos bem.”

Ele friccionou a boca, escondendo seu sorriso, seus pensamentos estavam completamente claros.

“Você realmente acha que eu não consigo fazer isso,” eu disse, tentando não soar com raiva.

“Só acho que vocês duas se divertirão mais indo para Lava Hot Springs. Você pode ir nas piscinas naturais e passar um dia fazendo compras na Salt Lake.

“Ando treinando para essa viagem o ano todo,” eu argumentei. “Você não sabe o quão duro eu dei por que você não tem aparecido por aqui. Você não me vê a 8 meses. Não sou a mesma garota. Você não me conhece mais.”
“Ponto entendido,” ele disse levando as mãos para mostrar que era uma sugestão inocente. “Mas por que Idlewilde? Não tem nada para fazer lá em cima. Você e Korbie ficarão entendiadas depois da primeira noite.”

Não sabia por que Calvin estava tão disposto a discutir comigo. Ele amava Idlewilde. E ele sabia tanto quando eu que tem muita coisa para fazer lá em cima. Daí eu saquei. Isso não era sobre mim ou Idlewilde. Ele não queria nos acompanhar. Ele não queria passar um tempo comigo. Se ele conseguisse que eu desistisse da viagem, seu pai não o forçaria a se juntar a nós, e ele teria suas férias de volta.

Digerindo esse doloroso pensamento, limpei a garganta. “Quanto seus pais estão te pagando para você vir com a gente?”
Ele me olhou com avaliação crítica. “Claramente não o suficiente.”

Então é assim que vai ser. Um pouco de flerte sem significado aqui, um pouco de ironia ali. Em minha imaginação, peguei um caneta vermelha e fiz um grande X no nome de Calvin.

“Só para esclarecer, eu não queria que você viesse. Você e eu juntos de novo? Fala de desconforto.” Soou melhor em minha cabeça. Agora entre nós, as palavras soaram com inveja e bastante maldosas – exatamente como as de uma ex-namorada soariam. Eu não queria que ele soubesse que ainda estava machucada. Não quando ele só era sorrisos e piscadas.

“É mesmo? Bem, este acompanhante cortou seu toque de recolher por uma hora,” ele brincou.

Eu apontei em direção à BMW X5 com tração nas quatro rodas no lado de fora. “Seu?” Eu pensei. “Um outro presente dos seus pais ou você faz algo mais além de correr atrás de garotas, como ter um trabalho respeitável?”
“Meu trabalho é correr atrás de garotas.” Um sorriso. “Mas eu não chamaria de respeitável.”

“Sem uma namorada séria, então?” Não consegui olhar para ele, mas senti um imenso orgulho pelo tom casual. Eu disse a mim mesma que não me importava com a resposta de qualquer jeito. Se ele tivesse seguido em frete, era só mais um sinal verde me dizendo que poderia fazer o mesmo.

Ele me atiçou. “Por que? Você tem namorado?”
“É claro.”
“É, sei.” Ele bufou. “Korbie teria me contado.”

Mantive minha posição arqueando meus cotovelos presunçosamente. “Acredite ou não, há coisas que Korbie não te conta.”

Seus cotovelos franziram. “Quem é ele?” ele perguntou cautelosamente, e eu sabia que ele estava pensando em acreditar na minha história.

“Você não conhece. Ele é novo na cidade.”
Ele balançou a cabeça. “Muito conveniente. Não acredito em você.”  Mas o tom dele soava com se acreditasse.

Senti uma urgência de prová-lo que eu segui em frente  – com eu sei término, nesse caso, sem. E não só isso, mas eu estava com um cara muito, muito melhor. Enquanto Calvin estava ocupado na Califórnia sendo um mulherengo, eu não estava – repito, não estava  – lamentando e vendo fotos antigas dele.

“Aquele ali é ele. Veja você mesmo,” disse sem pensar.
Calvin seguiu onde eu apontava para Volkswagen Jetta vermelho que estacionava no abastecedor mais perto. O cara colocando gasolina no Jetta era uns dois anos mais velho que eu. Seu cabelo castanho estava cortado e mostrava a simetria impressionante de seu rosto. Com o sol batendo em suas costas as sombras mostravam depressões sob as maçãs do rosto. Não conseguia ver a cor de seus olhos, mas esperava que fossem castanhos. Por nenhuma outra razão além de que os de Calvin eram um verde profundo. O cara tinha ombros esculpidos que me fizeram pensar que era nadador, eu nunca tinha o visto antes.

“Aquele cara? Vi quando entrei. A placa é de Wyoming.” Calvin não parecia convencido.
“Como eu disse, novo na cidade.”
“Ele é mais velho que você.”
Olhei para ele significativamente. “E?”

A porta fez um barulho e meu namorado de mentira entrou. Ele era ainda mais bonito de perto. E seus olhos eram definitivamente castanhos – um castanho que me lembrou troncos. Ele colocou a mão no bolso de trás para pegar a carteira, e peguei o braço de Calvin  e o arrastei atrás de uma prateleira cheia de Fig Newtons e Oreos.

“O que você está fazendo?” Calvin perguntou me encarando como se tivesse duas cabeças.
“Não quero que ele me veja,” sussurrei.
“Por que ele não é realmente seu namorado, não é?”
“Não é isso.  É-”
Onde estava uma terceira mentira quando precisava dela?

Calvin sorriu e sacudiu a minha mão e foi em direção à registradora. Prendi um gemido entre os dentes e assisti, espreitando entre as duas prateleiras.

“Hey,” Calvin disse afavelmente para o cara que usava uma blusa de flanela do buffalo-check, jeans e botas de caminhada.  Levantando o olhar, o cara balançou a cabeça em reconhecimento.
“Fiquei sabendo que você está namorando minha ex,” Calvin disse, e havia algo inegavelmente presunçoso em seu tom. Ele estava me fazendo provar de meu próprio remédio, e ele sabia disso.

A observação de Calvin fez com que o cara desse toda a atenção ao ele. Ele estudou Calvin curiosamente, e senti minhas bochechas ficarem ainda mais vermelhas.
“Sabe, sua namorada,” Calvin continuou. “Escondida ali atrás do biscoitos.”
Ele apontava para mim.

Me arrumei, minha cabeça apareceu na prateleira. Arrumei minha blusa e abri a boca, mas não haviam palavras. Nenhuma mesmo.
O cara olhou de Calvin a mim, nossos olhares se cruzaram brevemente, e eu tentei dizer ‘Posso explicar’… mas não consegui.

Então algo inesperado aconteceu. O cara olhou inequivocamente para Calvin e disse de forma imperturbável, “É, minha namorada. Britt.”

Eu estremeci. Como ele sabia meu nome?

Calvin parecia igualmente impressionado. “Oh. Hey. Desculpa, cara. Eu pensei -” Ele estendeu a mão. “Sou Calvin Versteeg,” ele gaguejou vergonhosamente.  “O ex… da Britt.”
“Mason.”

Os olhos de Mason passaram o mão de Calvin e ele não a apertou. Ele colocou três notas de vinte no balcão para Willie Hennessey. Então passou por mim e beijou minha bochecha. Foi um beijo sem nada demais, mas minha pulsação acelerou mesmo assim. Ele sorriu, e foi um sexy e caloroso sorriso. “Vejo que você não superou seu vício por Slurpee, Birtt.”

Devagar, sorri de volta. Se ele estava jogando, eu também estava. “Eu vi você chegar e precisava de alguma coisa para me acalmar.” Eu me aticei enquanto o admirava adoravelmente.

Seus olhos se espremeram. Tinha certeza que ele ria por dentro.

Eu disse, “Você deveria passar lá em casa mais tarde, Mason, por que eu comprei um novo gloss que eu poderia testar….”
“Ah. Jogo do beijo?” ele disse sem perder uma.
Disparei olhar em Calvin para ver como ele estava lindando com o flerte. Para minha alegria, ele parecia estar com a boca cheia de casca de limão.
“Você me conhece – sempre apimentando as coisas,” eu disse.

Calvin limpou a garganta e dobrou os braços sob o peito.
“Você não deveria estar indo, Britt? Você realmente deveria chegar na cabine antes de escurecer.”

Algo indecifrável enchei os olhos de Mason. “Vai acampar?” ele me perguntou.
“Fazer trilha,” eu corrigi. “Em Wyoming – na Cordilheira Teton. Ia te contar mas…” Ai! Que razão poderia dar por não ter contado ao meu namorado sobre a viajem? Estava tão perto de isso dar certo e eu ia estragar tudo.
“Não aparece muito importante, já que vou sair da cidade também e não vamos poder passar a semana juntos de qualquer jeito,” Mason terminou facilmente.

Encontrei seu olhar de novo. Bonito, pega as coisas rápido, topa tudo – até fingir ser namorado de uma garota que ele nunca conheceu – e assustadoramente bom mentiroso. Quem era esse cara? “Sim, exatamente,” murmurei.

Ele inclinou sua cabeça para mim. “Quando estávamos juntos, eu fiquei alguma semana fora sem te contar?”
Você ficou 8 meses fora, eu pensei. E terminou comigo na noite mais importante da minha vida. Jesus disse para perdoar, mas há sempre espaço para exceção.

Eu disse a Mason, “Aliás, papai quer te convidar para o jantar na semana que vem.”

Calvin fez um barulho sufocante. Uma vez, ele havia me trago em casa 5 minutos depois do toque de recolher, estacionamos o carro para ver meu pai segurar um taco de golf. Ele jogou a bola no Ford F-150 preto de Calvin, que deixou uma cratera. “Da próxima vez que trazer ela para casa tarde, serão os faróis,” ele disse. “Não seja estúpido o suficiente para precisar de 3 avisos.”

Ele não queria mesmo fazer aquilo, não mesmo. Já que era a bebê da família e a única menina, meu pai era ranzinza com os caras que namorei. Mas na verdade meu pai era amável. Mesmo assim, Calvin nunca passou do toque de recolher de novo.
E ele nunca havia sido permitido ir jantar.

“Diga a seu pai que gostaria de mais conselhos sobre isca de pesca,” Mason disse continuando nossa brincadeira. Milagrosamente, ele adivinhou corretamente o esporte preferido do meu pai. Todo esse encontro estava começando a ser… estranho. “Oh, e mais uma coisa Britt.” Ele passou a mão em meu cabelo, tirando do meu ombro. Eu fiquei perfeitamente imóvel, seu toque congelando minha respiração por dentro. “Tome cuidado. Montanhas são perigosas essa época do ano.”

Fiquei de boca aberta, impressionada, até que ele saísse do posto de gasolina.

Ele sabia meu nome. Ele me salvou. Ele sabia meu nome.

Estava impressa na minha blusa roxa da orchestra-camp, mas Calvin não havia notado.

“Achei que você estivesse mentindo,” Calvin me disse, parecendo estupefato.
Dei a Willie uma nova de 5 por meu Slurpee e guardei o troco.
“Por mais satisfatória que essa conversar tenha sido,” eu disse a Calvin, “eu devo ir fazer algo mais produtivo. Como abrir a sua BMW, é muito bonita.”
“Como eu?” Ele sacudiu as sobrancelhas esperançosamente.
Enchi a boca de Slurpee, querendo dizer que cuspiria na cara dele. Ele se afastou, entendendo, e para minha satisfação, acabou com seu sorriso metido.

“Te vejo hoje a noite em Idlewilde,” Calvin me disse depois que sai da loja.
Por resposta, levantei os dedões.
Meu dedo de meio teria sido muito óbvio.

Quando passei pela BMW de Calvin no estacionamento, notei que as portas estavam destrancadas. Voltei para ter certeza que ele não estava olhando e depois tomei uma rápida segunda decisão. Subindo pela porta do passageiro, tirei o retrovisor de posição, joguei Slurpee no chão e roubei sua coleção vintage de CDs do porta luvas. Era uma coisa sem importância de se fazer, mas me fez sentir um pouco melhor.

Devolveria os CDs hoje a noite – depois de ter arranhado alguns de seus favoritos.

Tradução por HushHushers – não reproduza sem os créditos!

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