Becca dá entrevista ao Ronreads

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O leitor desse blog sabe que eu não tive a melhor relação com a série “Sussurro” de Becca Fiztapatrick. Aqui está o exemplo 1 e o exemplo 2. Não fui muito legal com os livros.

Entrevistá-la quando ela veio aqui no mês passado foi um pouco animador para mim. Estava interessado em ver como interagiria com ela, já que tive algumas experiências que a interação com o autor mudou o que achei do livro. Conheci dois autores locais ganhadores de prêmios e eles eram completos babacas, e nunca mais fiquei animado para nenhum livro deles.

Acontece que Becca Fitzpatrick é uma pessoa muito legal, e eu meio que fui um babaca. Ainda assim continuo com as minhas reviews. Talvez deveria ter sido um pouco mais legal escrevendo elas.

É a sua primeira vez nas Filipinas?

É sim. Primeira vez na Ásia, primeira vez nas Filipinas.

Como essa visita aconteceu?

A National Book Store me convidou, e acho que foi só há dois meses atrás. Estava muito animada por que, há anos, no Twitter, meus fãs filipinos vem pedindo para eu vir. Quando a National Book Store me convidou, fiquei muito animada. Nem pensei, tinha que vir por causa dos meus fãs. Queria conhecê-los.

Qual foi a reação no Twitter quando você finalmente anunciou que estava vindo?

Eles estavam muito animados e muito agradecidos. Eles entendem que é um longo voo e que deixaria de escrever para ir, então estou muito feliz que eles estão agradecidos.

O que você quer muito ver no país?

As praias, obviamente (risos). Ouvi dizer que a água é linda, e que tem uma bela areia, pura. Quero explorar um pouco ao redor. Acho que essa é a melhor de conhecer a cultura. Você tem que ir explorar.

Eu li online que “Sussurro” surgiu porque seu marido te matriculou em uma aula de redação. É verdade?

É verdade (risos). Para o meu 24º aniversário, eu tinha pedido para que me matricular em uma aula de culinária japonesa. Ele não fez isso (risos). Ele decidiu ir com a aula de redação, porque eu tinha um diário e sempre escrevia nele. Ele pensou que eu iria realmente gostar da aula de redação.
Ele me colocou nessa e eu fiquei muito brava de primeira (risos). Todos os demais tinham formação em Literatura ou Inglês. Eles estavam escrevendo há anos e eu não me sentia qualificada. Me senti absolutamente intimidada. Mas estou feliz agora que ele me colocou nessa aula porque eu não teria sido capaz de fazer tudo isso se não fosse por ela.

Então você nunca tinha se interessado a escrever antes, tirando nos diários?

Quando eu era pequena, lembro de assistir o filme “Romancing the Stone”, e por isso queria ser uma escritora de romances, porque eu queria ser como a escritora do filme, voar para a Colômbia e ser resgatado por um cara bonito. Lembro de pensar assim quando criança, e me lembro de escrever peças de teatro e pequenas histórias. Mas eu não acho que eu realmente pensei a sério até a aula que meu marido me deu.

O que te fez fazer Saúde ao invés de escrever? 

Não acho que fosse uma possibilidade. Eu realmente nunca pensei que seria uma carreira. Apenas pensei que era algo que as pessoas fazem para se divertir e estava pensando que tinha que ir para a escola por algo que me daria um emprego no futuro. Lembro de querer ser uma espiã na faculdade (risos), e eu queria trabalhar na CIA, mas isso nunca aconteceu. Me candidatei, mas eles não me chamaram.

Não sabia que dá para se candidatar. Achava que eles que chegavam até você.

Eu acho que é assim, às vezes, mas eu me candidatei online.

Escrever é uma coisa de família?

Não, mas nós éramos todos grandes leitores e eu acho que se você ama ler, é uma espécie de um passo natural entrar em escrita. Para ser um bom escritor, você precisa ser um bom leitor.

Como “Sussurro” surgiu nessa aula? Foi algo que você já pensava antes ou apenas aconteceu?

Aconteceu durante a aula. Meu professor nos pediu para escrever uma cena que mostrasse humilhação, e por isso a primeira cena que eu realmente escrevi em “Sussurro” foi algo que aconteceu comigo na escola. É a cena em que Nora em Biologia e seu professor pede a ela para citar as características que ela quer em um parceiro em potencial, e ela está muito envergonhada e todo mundo estava rindo, e isso aconteceu na frente de um menino bonito como Patch. Aconteceu no colégio. Foi tirada direito da minha vida.

Até o “Call me Patch. I mean it. Call me.”?

Isso não (risos). Mas havia um menino bonito que estava me dizendo “Vamos lá Becca, diz o que você quer em um homem.” Foi humilhante! Essa foi a primeira cena que eu escrevi e ele só veio de lá.

Da aula de redação e a primeira cena, quando tempo levou para você terminar de escrever “Sussurro”?

Eu não acho que  terminei durante as aulas. Mas os outros alunos, após o fim das aulas, queriam formar um grupo de crítica e compartilhar nossas histórias uns com os outros. Somos todos escritores agora, sejam em revistas ou livros. Levei cinco anos reescrevendo “Sussurro”, de novo e de novo, e fiquei enviando a editores, antes de conseguir uma oferta. Recebi mais de uma centena de cartas de rejeição do livro.

Isso incluiu a busca por um agente? Você pode falar mais sobre o processo de publicação?

Eu decidi que queria um agente literário, então eu estava enviando o livro para os agentes. Isso levou cinco anos. Quando eu finalmente consegui uma agente, ela me fez reescrever o livro mais uma vez para ela, e então ela o apresentou aos editores, e logo estávamos recebendo ofertas para o livro. Eu queria alguém do meu lado que poderia negociar para mim.

Quando você soube que a Simon & Schuster iria publicar o livo, como se sentiu? Como foi a ligação?

Não consigo nem descrever. Lembro de minha agente me dizer e fiquei muito chocada. Não iria acontecer na hora. Mas eu me senti realmente validada porque havia trabalhado nesse livro por cinco anos, e finalmente, finalmente ter alguém querendo, ela meio que me mostrou que todo esse trabalho duro valeu a pena.

Você teve que reescrever o livro de novo?

Não foi uma grande mudança. Foram pequenas edições. Aumentar uma cena, mudar o final. Acho que consegui terminar em três ou quatro semanas.

Como o fim mudou?

Eles queriam uma sequência, então tivemos que tirar algumas coisas para fazer uma história grande um suficiente para um segundo livo. Foram mais mudanças no pai de Nora. Gostaria de lembrar exatamente.

Então era para ser um volume único? 

Essa era minha intenção. Era um livro só e uma editora queria mais um. Quando terminei o segundo, quis escrever mais um. No terceiro, quis um quarto livro. Então se eu quiser escrever uma série de novo, vou decidir antes o que acontece em cada livros (risos). É difícil escrever assim.

 Em que ponto dos livros você achou que havia mais para contar?

Eu estava me divertindo e não queria parar de trabalhar com esses personagens ainda, estão continuei. A decisão costumava vir quado estava perto do fim.

Como foi quando você recebeu a ligação falando que estava na lista de bestsellers do New York Times?

Foi louco. Estava no carro, viajando. Estava dirigindo de Nevada para Utah. Estava indo para Wyoming e lembro de ter recebido a ligação. Comecei a gritar e estava impressionada que isso realmente aconteceu com meu livro. Tinha recebido tanto rejeição, é por isso.

O que te fez continuar mesmo com as rejeições que você recebeu?

Meu grupo de crítica. Estávamos todos escrevendo e todos mandamos para diferentes editoras. Sabendo que havia outras pessoas que estavam passando pelo que eu estava, se tornou administrável. Eu queria chorar, seria difícil, mas mantivemos um ao outro e lutando por esse objetivo.

Quando você estava escrevendo a história, você sabia que seria especial, que iria para diferentes lugares? Ou foi uma surpresa para você que muitas pessoas se relacionaram com ele?

Foi uma surpresa para mim. Não acho que sequer considerei estar na listas dos mais vendidos. Foi uma surpresa. Tive rejeições por anos e anos e anos, e eu pensei que eles iriam publicar e só. Não esperava que fosse bem sucedido, mas eu esperava que fosse chegar a pelo menos a algumas pessoas.

Se você olhar no Goodreads, a reação dos leitores é dividida. Quando amam, amam de verdade. Quando odeiam, odeio de verdade. 

É. (risos)

Como você lida com isso, especialmente as redes sociais, quando leitores se sentem livres para te falar o que eles acham?

O livro realmente teve alguns comentários ruins, e minha confiança acabou completamente. Eu não leio comentários mais. Agora eu só escrevo o livro, que é o meu trabalho. Os leitores podem ler o livro, criticá-lo, avaliá-lo, e isso é o trabalho deles. Mas não é o meu negócio para saber o que ou quais são as reações.

Um amigo me disse quando “Sussurro” foi lançadom que se você tiver apenas comentários positivos sobre seu seu livro, pessoas o suficiente não leram, e eu acho que isso está muito certo. Se você recebe comentários de cinco estrelas, podem ser só amigos e familiares. Milhares de pessoas que leem um livro é definitivamente bom. E é claro que você vai ter críticas ruins.

Isso afetou sua escrita, de alguma fora, em escutar a opinião dividida no livro?

Absolutamente. Eu estava muito nervosa escrevendo o segundo livro, e quando eu mandei a editora, ela queria a coisa toda reescrita. Foi uma bagunça. Isso realmente afetou minha confiança. Eu estava muito instável a esse ponto e eu não sei se conseguiria. Eu tive que reescrever “Crescendo” e que foi a coisa mais difícil que tive de lidar e eu nunca quis fazer algo tão difícil de novo. Então eu comecei a recuperar a confiança.

Ouvi que os direitos dos livros foram comprados para um filme?

É muito animador. Eles tem um roteiro, e é isso.

O quão envolvida você está no processo de fazer o filme?

Não estou (risos). Acho que sou responsável pelo livro, e agora que eles estão fazendo o filme, que é a visão deles e eu não quero estar envolvida. Mas eu quero visitar o set.

“Black Ice” é uma coisa inteiramente diferente. Não é nem um pouco paranormal. Foi uma decisão consciente de sua parte para se distanciar  da série?

A primeira versão de “Black Ice” era paranormal, na verdade. Quando minha editora leu, ela quis eliminar todos esses elementos paranormais. Nesse ponto, se tornou uma história realista.

“Black Ice”, como “Sussurro”, é baseado em algo que aconteceu comigo. Nas minhas férias, minha família foi subir uma montanha, e eu fiquei doente e estava sozinha e eu estava assistindo a um filme realmente assustador sobre um cara que rapta uma mulher e a leva para sua cabana na floresta. Foi meio assim a minha decisão de escrever “Black Ice”.

Com que frequência você coloca suas experiências pessoais na hora de escrever seus livros?

O tempo todo. Eu mantinha um diário quando crescia e eu gostaria de reler os e encontrar coisas que aconteceram e incorporar isso na minha história.

Muitos dos autores com quem eu falei realmente odeiam a parte do processo de revisão. É assim com você também?

É. O primeiro rascunho é minha parte favorita, porque eu estou muito livre. Só escrevo e não tenho que pensar se meus editores gostam ou não. Definitivamente, a edição é muito difícil.

Quanto tempo geralmente lava para colocar as alterações do seu editor?

Eu tenho dois meses para o primeiro turno, e cada rodada fica menor e menor, porque as mudanças também se tornam mais leves e mais leves. Geralmente, leva de seis a oito meses para escrever o primeiro rascunho, e depois mais seis a oito meses para editar o livro.

Qual é o seu processo de escrita?

Quando eu realmente estou escrevendo, eu gosto de paz e tranquilidade. Eu vou correr aí eu crio o enredo. Coloco no meu iPhone e faço uma longa caminhada, ouvindo música e eu vou descobrindo o que vai acontecer na história. Então eu chego em casa e escrevo em paz e sossego.

Qual é a reação mais gratificante que você já ganhou de um fã?

Provavelmente quando fãs que me disseram que “Sussurro”foi o primeiro livro que leram, que acendeu neles o amor pela leitura. Isso é realmente emocionante ouvir. Quando as pessoas me dizem que não gostam de ler, eu digo que ainda não encontraram o livro certo.

Qual foi o livo certo para você?

Foi ““The Witches” de Roald Dahl.  Quando era uma garotinha, lembro de ler e pensar que tudo é possível.

Que concelho você dá para jovens escritores que querem seguir uma carreira?

Eu diria que, se puder, faça parte de  grupos de crítica, seja em sua livraria local ou on-line. Encontre alguém e compartilhe sua história com as pessoas a quem você confia que vão dar um bom feedback. Senti que aprendi mais lendo as críticas dos meus parceiros de crítica do que a partir de seus comentários sobre minhas próprias histórias, porque quando li suas histórias, eu pude ver o que funciona e o que não funciona. Foi muito valioso. Além disso, quando você começar a procurar por editores, você terá pessoas que sabem o que você está passando e podem animá-lo. Você precisa de persistência e você deve saber que vai ter rejeição. Isso é parte da paisagem. Vai acontecer. E leia o máximo que você puder, todos os gêneros possíveis. Não apenas o gênero que você está escrevendo, porque eu aprendi muito sobre como estruturar uma história com livros históricos, a partir de outros gêneros.

Via | Tradução e adaptação por HushHushers – Não reproduza sem os créditos!


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