Becca é entrevistada pelo site El Tiempo

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Os quatro romances para adolescentes da escritora Becca Fitzpatrick que dominaram a feira.

Na quarta-feira passada, em uma feira do livro recém aberta, os participantes tiveram a oportunidade de ver algo incomum: centenas de adolescentes em uma fila para ganharem uma dedicatória da escritora americana Becca Fitzpatrick, autora da tetralogia Hush, Hush.

Foi assim também na quinta-feira, sexta-feira e todos os dias que ela apareceu em público, no estande da Ediciones B, para dar autógrafos.

Os quatro romances lidam com as relações de amor e ódio de uma menina humana (Nora) com um anjo caído do céu (Patch Cipriano), e seu comportamento maldoso.

A autora, de 35 anos, é tudo o que não se poderia pensar de um escritor best-seller. Ela estudou para ser uma enfermeira, mas desde criança tinha uma propensão para a escrita e leitura de romances. Após o casamento, um dia seu marido se encontrou perante um dilema: presenteá-la com um curso de culinária japonesa ou um curso de escrita criativa?

A segunda opção foi a que permitiu Becca criar um mundo de fantasia que hoje mexe com meninas de mais de uma dúzia de países e lançar um universo que está à beira do sucesso mundial, quando for lançado no cinema o filme do primeiro livro dos quatro livros, cujos nomes são: Sussurro, Crescendo, Silêncio e Finale.

Ontem ela foi ao shopping Premium Plaza em Medellín, onde os jovens fizeram fila desde o início da manhã. Becca achava que sabia tudo sobre o calor do povo colombiano, mas depois que a primeira das meninas disse “posso te abraçar? “, todos quiseram a mesma coisa: autógrafo, abraço e beijo. A presença de Fitzpatrick foi marcada para 15h-17h, mas a extensão da fila levou os organizadores a estendê-la até depois de 18h. Hoje, a escritora viaja de volta ao seu país.

Como você explica o fascínio dos jovens por sua saga?

Eu acho que há diferentes razões: as meninas são fãs muito apaixonados, elas sabem do que elas gostam e querem compartilhar com suas amigas, com as meninas que fazem parte de seu grupo. Então elas leem para comentar e fazer parte deste grupo; creio que isso gera o sucesso entre esse tipo de público.

O que dizem seus leitores quando terminam de ler?

Muitos me perguntam sobre o fim dos personagens, ou por que eu fiz isso ou aquilo com um personagem. Mas definitivamente o romance é a minha paixão e mexe mais com as meninas. Ontem à noite no jantar organizado pela editora com algumas fãs, uma me falou sobre seu relacionamento com sua mãe. Ela disse que se identificou muito com uma história que é sobre o relacionamento de uma menina com a mãe.

Esses romances têm um cenário que é a luta entre o bem e o mal, por que esse tipo de escolha?

Eu não sei, não fiz conscientemente. Não me lembro de ter tomado a decisão: vou escrever sobre o bem e o mal. Mas eu acho que todos os seres humanos têm esse conflito entre ser bom e ser mau. Então Patch é um cara mau, mas torna-se uma boa pessoa. É uma história sobre redenção.

Na mitologia judaico-cristã a figura de um anjo caído significa um demônio. Não acha que foi um pouco arriscado lidar com esse tipo de imagem com os jovens?

Não, porque em minhas histórias o diabo não aparece. Eu não falo em particular sobre qual foi o primeiro anjo caído, mas arcanjos que se comportam mal, fazem coisas ruins e são jogados do céu, se tornam anjos caídos. Não existe só Patch, o protagonista, mas há muitos como ele. Patch é um personagem que caiu do céu e perdeu suas asas porque ele amava uma garota que era humana.

Ao fazer o curso de escrita criativa você já estava planejando escrever este livro?

Não, mas essa ideia surgiu quando comecei a fazer o curso.

Mas a origem da história, de onde veio?

Quando eu estava em uma aula de biologia, na escola, um professor começou a falar sobre sexo e relacionamentos humanos, e me chamou à frente da sala e me fez uma série de perguntas muito humilhantes. A recordação dessa situação da adolescência, relacionada com essa fase e com os romances, foi a semente que me levou a escrever Sussurro.

Quantos anos você tinha quando decidiu ser uma escritora profissional?

Aos 24 anos, em um curso de escrita criativa que Justin, meu marido, me presenteou. Lá, um professor me disse que seria bom eu escrever, e me incentivou a tentar.

Além dos Estados Unidos, seus livros têm feito muito sucesso na Espanha, mas também na América Latina. Por que a Colômbia é o primeiro país latino-americano que você visitou?

A Colômbia me solicitou, me convidou. Estou muito feliz de vir porque alguns anos atrás, quando Sussurro foi traduzido para o espanhol, muitos jovens colombianos entraram em contato comigo via Facebook e Twitter e me perguntaram quando eu os visitaria. E durante todos esses anos me pediram para vir.

Esperava essa reação tão numerosa e emotiva? Foi-me dito que alguns de seus leitores choraram e desmaiaram ao chegarem do seu lado para pedir um autógrafo…

Eu não estava esperando muito. Estou surpresa com o número de meninas, mas é sempre bom se surpreender positivamente. Eu me sinto muito amada aqui e acho que é um lugar fácil para se apegar e para o qual eu quero voltar.

O que sabia da Colômbia antes de vir para cá e o que sabe agora?

Honestamente, eu não sabia muito antes. Eu coloquei ‘Colômbia’ no Google quando soube que viria. Em algum lugar li que em Bogotá fazia uma temperatura de 32ºC, então vim de short. Havia bastante informação, mas na verdade não dá pra saber muito só lendo coisas em sites. Eu notei que os colombianos são muito gentis, atenciosos, queridos.

Você tem dito em entrevistas que rejeitaram o seu primeiro livro muitas vezes. De onde arranjou forças para tentar de novo?

Pensei em desistir e dizer “tudo bem, vou manter minhas histórias para mim mesma”. Mas, neste curso de escrita, como estávamos todos na mesma e queríamos apresentar nossos projetos e publicar, nós nos apoiamos uns nos outros. Eu disse “realmente não estou sozinha”.

O que eles criticavam ao rejeitar?

Houveram diferentes razões. Alguns queriam Patch, outros não. Outros disseram que a escritora não era boa. Os editores não conseguiam concordar com nada.

E o que foi que sua nova agente Catherine Drayton fez para que vissem o romance Sussurro com outros olhos?

Ela conseguiu vendê-lo para a editora, mas, eventualmente, disse-me para mudar algumas coisas e me deu bons conselhos.

Você tem filhos?

Sim, um de 7 e um 11 anos.

Eles leem o que você escreve?

Não. O de 11 quer ler os livros, mas eu digo que não, só em alguns anos.

Por que ainda não?

Porque meus romances contêm cenas de romance e terror que sinto que ainda não são para ele.

Você conta para eles sobre o que escreve?

Sim, quando estamos juntos, digo-lhes sobre minhas idéias e compartilho-as. Em geral, eles sabem muito sobre o meu trabalho e me ajudam a construir algumas cenas dos livros.

Alguma sorte no amor, quando tinha a idade de seus personagens?

Às vezes sim, às vezes não, mas isso faz parte do que é ser jovem.

O que diz seu marido agora porque não sabe preparar comida japonesa?

(Risos) Ele agora leva o crédito pela autoria dos livros, foi ele quem me deu o curso para aprender a escrever.

 

Via | Tradução por Equipe HHBR – não reproduza sem os créditos!


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