Leia novo capítulo de Black Ice!

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Publishers Market Place divulgou um novo capítulo de Black Ice! Você pode ler a tradução abaixo, feita por nossa equipe:

Capítulo dois

Algumas horas depois, Korbie e eu estávamos na estrada. Calvin foi antes da gente, e eu culpava Korbie. Quando bati em sua porta, ela ainda estava fazendo outra mala, calmamente tirando suas blusas do guarda-roupa e pegando batom da sua caixinha de cosméticos e colocando na necessaire. Tentei acelerar as coisas sentando na cama e enfiando tudo na bolsa.

Esperava chegar primeiro que Calvin em Idlewilde. Agora ele estaria dominando o quarto e suas coisas estarão espalhadas pela cabine quando chegarmos lá. Conhecendo-o, ele trancaria a porta e nos forçaria a bater como convidadas. O que é enfurecedor, já que essa é a nossa viajem, não dele.

Korbie e eu fizemos o caminho ao contrário, para aproveitarmos o calor do vale antes do gelado da montanha nos pegar. Tínhamos musica. Korbie e eu fizemos uma mixtape para a viajem e estávamos escutando aquela musica dos anos oitenta?  – noventa?- que a letra era, “Get outta my dreams, get into my car.” O rosto presunçoso de Calvin ainda estava aparecendo em minha mente, e estava me incomodando. Firmemente acreditava no provérbio “Finja até que seja verdade,” então coloquei um sorriso e gargalhei quando Korbie tentava alcançar as notas mais altas.

 

Depois de uma parada rápida para mais Red Bull, deixamos para trás as pastagens de cavalos e verdes fazendas, com plantações de milho voando como um borrão, e subimos para uma elevação mais alta. A estrada estreitou, pinheiros e álamos passando perto dos ombros. Sentir o ar passando por me cabelo era legal e limpo. As flores silvestres azuis e brancas no chão, e o mundo cheirava fresco e com cheiro de terra. Subi mais os óculos de sol. Minha primeira viajem sem meu pai ou meu irmão, Ian. Não deixaria que Calvin estragasse isso de jeito nenhum. Não deixaria que ele arruinasse meu humor da estrada e não deixaria que ele arruinasse minha semana nas montanhas. Dane-se ele. Dane-se ele e divirta-se. Parecia um bom mantra para a semana.

O céu estava com um azul tão deslumbrante que machucava meus olhos, o sol brilhando fora do pára-brisa quando fizemos uma curva. Pisquei para melhorar a visão, e então as vi. As pontas glaciais da montanhas Teton aparecendo de longe. Pontas verticais e pontudas no céu como pirâmides com neve. A visão era hipnotizante e irresistível  – uma imensidão de árvores, encostas e céu.

Korbie subiu na janela com seu iPhone para pegar o melhor ângulo. “Sonhei na noite passada com aquela garota que foi morta por andarilhos nas montanhas no versão passado,” ela disse.

“A do guia de rafting?” Marcie O’Keeffle. Lembrava o nome dela das notícias. Ela era muito inteligente e fez uma viajem para Georgetown. Ela desapareceu lá pelo Dia do Trabalho.

“Você não tem medo que alguma coisa assim acontece com a gente?”

“Não,” eu disse sensatamente. “Ela desapareceu bem longe de onde estaremos. E não houveram provas de que andarilhos a mataram. É só o que todo mundo acha que aconteceu. Talvez ela tenha se perdido. Enfim, é cedo demais para andarilhos acamparem perto do rio. Além do mais, estaremos nas montanhas, onde os andarilhos não vão.”

“É, mas é meio assustador.”

“Aconteceu no verão passado. E foi só com uma garota.”

“É mesmo? E a Lauren Huntsman, a garota riquinha que estava em todos os canais de notícias no ano passado?” Korbie argumentou.

“Korbie. Pára. Sério. Sabe quantas mil pessoas vão para as montanhas e voltam pra casa em segurança?”

“Lauren desapareceu bem perto de onde estaremos,” Korbie insistiu.

“Ela desapareceu em Jackson Hole, milhas de onde estaremos. E ela estava bêbada. Eles acham que ela caiu no rio e se afagou.”

“O noticiário disse que as pessoas viram ela sair de um bar com uma cowboy em uma Stetson preta.”

“Uma pessoa viu isso. E nunca acharam o cowboy. Ele nem deve existir. Se estivéssemos correndo perigo, meu pai não teria me deixado vir.”

“Acho que sim,” Korbie disse, sem estar convencida. Felizmente, algumas horas depois ela pareceu ter esquecido de sua preocupação. “Mais duas horas e estaremos assando marshmellows em Idlewilde!”, ela comemorou na cúpula azul do céu.

Os Versteegs tomam conta de Idlewilde desde que me lembro. Era mais um alojamento do que uma cabine na floresta. Três chaminés  de pedra se projetavam a partir de um telhado. Idlewilde tem seis quartos – sete se você contasse com o sofá cama no porão perto do jogo de totó e da mesa de sinuca  – uma varanda, deslumbrantes janelas com vista para o sul e  uma abundância de cantos e recantos. Enquanto os Versteegs ocasionalmente passavam o Natal em Idlewilde  – O Sr. Versteeg tinha uma licença de piloto e havia comprado um helicóptero para subir a montanha, já que a maioria das estranhas estavam com neve e fechadas durante a primavera – eles usavam quase que exclusivamente como casa de verão, e haviam feito um gramado com banheira de hidromassagem, quadra de badminton e fogueira entre poltronas.

Há dois natais, passei minhas férias em Idlewilde com a família de Korbie, mas não esse natal passado. Calvin havia ido para a casa de um dos seus colegas de faculdade para o feriado, e Korbie e seus pais foram esquiar do Colorado, deixando Idlewilde desocupada. Nunca havia visitado Idlewilde sem o Sr. e Sra. Veersteeg. Não conseguia imaginar o local sem o olhar atento de Sra. Versteeg nos seguindo como um sombra.

Dessa vez, éramos só nós garotas. Sem adultos e sem regras. Há um ano, estar sozinha com Calvin teria parecido perigoso e proibido, uma fantasia secreta virando realidade. Agora eu não sabia o que esperar. Não sabia o que diria quando nos esbarrássemos  no corredor. Imaginava se ele estava com medo disso tanto quando eu estava. Pelo menos nosso primeiro esbarro foi fora do caminho.

“Você tem chiclete?” Korbie perguntou, e antes que pudesse pará-la, ela abriu meu porta-luvas e a coleção de CDs de Calvin cairam. Ela os pegou e olhou se perguntando. “Isso não é do meu irmão?”

Fui pega; posso também ter merecido. “Peguei do carro dele essa manhã no posto de gasolina. Ele foi um idiota. Isso foi totalmente justificável. Não se preocupe, vou devolver.”

“Tem certeza que você está bem com toda essas coisa do Calvin?” Korbie perguntou claramente achando estranho que eu tenha roubado os CDs dele. “Ele é só um idiota pra mim mas continuo a me lembrar que vocês já estiveram, tipo, juntos. Ou tanto faz. Você pode falar sobre isso o quanto quiser só não toca no assunto do beijo. Pensar em alguém trocando saliva com meu irmão, especialmente você, é de dar ânsia de vômito.” Ela colocou o dedo na garganta para dar ênfase.

“Superei ele totalmente.” Que grande mentira. Não superei Calvin. Aquele namorado de mentira só me fez provar isso. Antes dessa manhã, eu realmente acreditava que tinha seguido em frente, mas quando vi Cal, minhas emoções reprimidas borbulharam. Odiava ainda sentir algo por ele, mesmo que fosse uma intensa emoção negativa. Odiava ainda dar a ele o poder de me machucar. Tinha tantas memórias ruins ligadas à Calvin. Korbie não se lembrava que ele terminou comigo na noite do baile? Eu tinha um vestido e reservas na Ruby Tuesday, e havia pago a minha parte e a de Calvin do aluguel da Limousine. E eu estava concorrendo a rainha do baile!  Havia sonhado incontáveis vezes sobre como seria andar no campo de futebol usando uma coroa, radiante enquanto a multidão aplaudia e gritava, e como seria dançar nos braços de Calvin.

Havíamos combinado de nos encontrar às oito, e quando já era oito e meia ainda sem Cal, fiquei preocupada dele ter sofrido um acidente. Sabia que seu voo não estava atrasado – fiquei de olho nisso na internet. O resto do grupo havia ido na limo e eu estava em lágrimas.

E aí o telefone tocou. Calvin não havia nem sequer saído da Califórnia. Ele esperou até o último minuto para ligar e nem se importou em fingir um tom de desculpa. Com uma voz suave e despreocupada, ele disse que não viria.

“Você esperou até agora para me contar?” Eu exclamei.

“Tinha muitas coisas na cabeça.”

“Bem típico. Você não me liga a semanas. Você não retorna minhas ligações a dias.” Calvin não era a mesma pessoa desde que foi para a faculdade. Foi como se ele tivesse experimentado como é a liberdade e tudo havia mudado. Eu não era mais prioridade.

“Deveria saber que você faria algo assim,” eu rebati. Estava tentando muito não chorar. Ele não viria. Não tinha um par para o baile.

“Você está monitorando a frequência das minhas ligações? Não sei como me sinto sobre isso, Britt.”

“É sério? Vocês está me culpando? Você sabe o quando você está me decepcionando agora?”

“Você é exatamente como meu pai, sempre choramingando como não sou bom o suficiente,” ele disse defensivamente.

“Você é um babaca!”

“Talvez não devêssemos estar em uma relação,” ele disse rigidamente.

“Talvez mesmo!”

A pior parte foi, eu conseguia ouvir musica alta e jogo ao vivo sendo transmitido ao fundo. Ele estava no bar. Tinha tantas expectativas nessa noite, e eles estava bebendo. Joguei o telefone no gancho e cai em lágrimas.

Essas memórias estavam começando a me deixar mal humorada. Realmente queria não ter que falar sobre Calvin. Estava dividindo minha determinação de manter uma atitude positiva. Seria muito mais fácil fingir estar feliz se não precisasse gastar energia convencendo o mundo todo que eu estava bem, só bem.

“Não vai ser estranho ter ele por perto?” Korbie pressionou.

“Não seja ridícula.”

Korbie apertou os olhos especulativamente. “Você não vai usar essa oportunidade para tentar ficar com ele de novo, vai?”

“Que nojento. Nuca me pergunte sobre isso de novo.” Mas o pensamento me ocorreu. Totalmente. E se Calvin quisesse? Não era difícil imaginar. Korbie e Bear estariam se agarrando. O que deixava Calvin e eu. Não me surpreenderia se ele tentasse alguma coisa. O que significa que eu tenho que decidir agora mesmo se vou deixar ou não.

Talvez, se eu pensasse que ele realmente seguiu em frente, eu poderia esquecer dele. Mas a forma como ele me olhou na 7-Eleven? Quando eu estava flertando com Mason? Se não era arrependimento, não sabia o que era.

Mas dessa vez, eu decidi, iria fazer ele ralar para ter minha atenção. Ele havia me  humilhado, e havia muito o que fazer para ele recompensar. Não o teria de volta até que tivesse sofrido o suficiente. Ele iria se rastejar bonito. Calvin sabia que eu não traia, o que estava a meu favor. Me divertiria com ele, e então o largaria alegando estar culpada em trair meu namorado de mentira.

Sabe o que eles costumam dizer sobre revanche? Em breve, Calvin iria saber também.

 Tradução e adaptação por Hush Hushers! Não reproduza sem os créditos!

Você pode ler a primeira prévia de BI clicando aqui.


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