Jenn Martin entrevista a responsável pelas capas dos livros de Becca, Lucy Ruth

Jenn Martin, a assistente de Becca, entrevistou a responsável pelas capas dos livros da autora até agora, a diretora de arte da Simon & Schuster, chamada Lucy Ruth Cumming. Leia a entrevista traduzida abaixo:

Oi Lucy! Você pode nos contar um pouco sobre você e com o que uma designer de capas lida?

Passei a minha carreira toda na Simon & Schuster Para Jovens Leitores desenvolvendo tudo desde livros com fotos até romances jovens adultos. Tenho o melhor trabalho. Basicamente, como designer, tenho que ler ótimos livros YA desde os rascunhos em diante e meu trabalho é fazer a imagem que captura a história e tem atenção do leitor nas livrarias ou bibliotecas.

Isso pode envolver procurar o perfeito fotógrafo, planejar e executar um photoshoot, ou contratar um ótimo ilustrador.  Em todos os passos, sempre converso com o autor, o editor e o resto da equipe para garantir que faremos algo único, legal e algo que será relacionada diretamente ao livro.

 Vamos falar sobre o processo de fazer uma capa. Você lê uma cópia do livro antes de ser lançado e daí tem a ideia, na qual você compartilha com a equipe de publicação ou eles vêm com a ideia primeiro? Você conversa com os autores sobre o que eles tem em mente?

Quando começo o processo de fazer uma capa, a editora me dá uma sinopse da história, descrições de personagens, e um manuscrito na etapa que estiver (primeiros rascunhos ou a versão prestes a ser publicada).

As vezes, autores nesse ponto já tem uma imagem que inspirou a escrita, e isso também será compartilhado comigo. Eu geralmente tento deixar isso de lado, inicialmente, para fazer uma “leitura limpa” e considerar essa informação depois que eu já tiver pensado em ideias, mas essa imagem ajuda muito. Os escritores com quem tive o privilégio de trabalhar escrevem com muito clareza, geralmente não preciso me lembrar da imagem que me disseram para sentir a visão deles através das palavras que escreveram!

Quando leio, gosto de ter um rascunho ao meu lado para tomar nota das imagens que vêm à minha cabeça e é diferente em cada livro que leio. Leio muito no metrô indo ou saindo do trabalho, também meu celular é cheio de notas que podem parecer esquisitas para um estranho (longas listas de frases e objetos). Também faço muitos rabiscos com lápis no começo para formar ideia em minha cabeça.

Uma vez que tenho uma boa lista de coisas, procuro o que anotei e começo a tentar conceitualizar capas que representam uma ou mais partes que mais me chamaram a atenção da história quando li. Nesse ponto, levo minhas ideia à editora para discutirmos, muitas vezes são maquetes ou imagens inspiradoras.

Se tem algo que a editora acha que funcionará perfeitamente, compartilhamos isso com o autor e o resto da equipe para garantir que eles também gostam da ideia antes de seguirmos em frente.

Uma vez que você tem um rascunho/ideia, o que acontece?

Quando todo mundo topa, começo a pensar se a alternativa é achar um bom fotógrafo, contratar um, ou em alguns casos, conseguir um ilustrador que possa trazer esse visão à vida.

Você geralmente usa fotos que já existem ou você tem que fotografar cada uma?

Varia de livro pra livro! A Saga Hush, Hush de Becca é um ótimo exemplo de quando a única forma de pegar a imagem perfeita foi um fotógrafo loucamente talentoso – James Porto – que pôde capturar uma imagem original que não é nada com o que se vê nas prateleiras. Amo essas capas infinitamente, e não poderiam ter o mesmo efeito sem o talento e visão de James.

Por outro lado, quando estava lendo o primeiro livro da Saga Mara Dyer de Michelle Hodkin, The Unbecoming of Mara Dyer, vi a foto que virou a capa, tirada por Heather Landis, foi do nada e instantaneamente impressionada sobre como maravilhosamente se encaixava com o livro e o tom. Pareceu mágica!

Existe um limite de gasto com cada capa? Você já tem isso fixo antes de começar a pensar no que vai fazer ou é baseado na sua ideia? 

O preço varia do projeto. Isso geralmente tem a ver com a quantidade de impressões – se achamos que vamos fazer centenas de livros, provavelmente temos um pouco mais de dinheiro para gastar. Se achamos que serão feitas poucas impressões, o orçamento é um pouco menor. O dinheiro nunca me impede de nada, na verdade – só me faz ser criativa em conseguir o que quero. Nunca pensei, “Poxa, gostaria de fazer algo bonito… se a gente tivesse mais grana!”. Sempre penso, “Isso tem que ser lindo – como posso fazer isso acontecer?”. Dito isso, meu publicista Justin Chanda é muito bom em abrir um pouco mais a carteira se ele acha que a visão é completamente diferente e legal. Tenho muito sorte de trabalhar onde trabalho!

As vezes livros podem ganhar um capa completamente diferente. Black Ice é um desses livros. A capa brochura de BI é completamente diferente. Você pode falar por que isso acontece e o processo que você faz para ter a ideia do novo look?

Sempre digo que fazer a capa de um livro é o melhor trabalho por que significa que estou sempre fazendo arte. Uma nova capa, ou “repackage”, como chamamos, é mais uma oportunidade para eu fazer mais arte. Quando é decidido que devemos tentar um novo look para um livro que eu amo (como amo Black Ice!) é como conseguir ficar mais tempo no mundo que eu gosto, e ter mais uma chance de fazer arte que celebre o trabalho do autor.

Basicamente a razão para uma nova capa é expandir o público do que achamos que é um ótimo livro. A gente pode ter te impressionado com a primeira tentativa, mas talvez a gente possa te deixar mais impressionado ainda!

Assim que decidimos fazer uma nova capa, eu olho o livro de novo (em que nesse ponto em legal por que já tenho o livro pronto ao invés de papeis bagunçados). Tento esvaziar a cabeça e começar do zero, e basicamente começo o processo de novo da mesma forma como se fosse a primeira capa – lendo, tomando nota, fazendo maquetes e rascunhos. Uma coisa que mantenho em mente é que o que devo fazer tem que ser radicalmente diferente da primeira vez – por que fazer uma segunda versão de alguma coisa se você vai repetir o primeiro trabalho?

Você que tem a ideia de fazer a nova capa ou isso vem até você? 

A editora, publicista e locais de venda são os que tem a melhor ideia do público que nosso livros recebem quando são lançados, então eles são os primeiros a pensar que seria legal ter uma nova edição. Todos os editores de arte sabem que isso pode acontecer, então sempre estamos prontos em como proceder quando isso acontece.

É difícil ter ideia para uma nova versão, uma vez que você já tem a primeira capa em mente?

Não – especialmente com os livros em que trabalho. Geralmente a primeira capa é só uma das milhões de coisas que queria destacar na história, então as opções de capa são bastante ilimitadas, principalmente devido ao fato de que nossos editores são ótimos em escolher autores e livros bons. A parte da criatividade geralmente é complicada mas só por que você só pode escolher uma das ideias que você tem para um livro em particular. Raramente li alguma coisa e pensei, “Essa é a unica capa que esse livro pode ter,” com mais frequência penso, “Todos os livros podiam ter cinco capas para eu poder me divertir fazendo todas elas?”

Você pode nos contar sobre o processo de fazer a capa de Black Ice, especificamente?

Para a primeira capa, realmente quis capturar o frio, o mistério, a adrenalina – e vamos ser honestos – parte do calor… da história na capa. Gostei muita da ideia de capturar a atmosfera da história e o drama do hálito quente no ar frio. Gosto dessa capa pra caramba.

Para a nossa nova capa, quis o perigo da história e realmente algo icônico e diferente de qualquer capa que vi – algo que pudesse se destacar na prateleira e realmente mostrar ao leitores a intensidade do drama de Becca.

Tem alguma capa que você goste mais?

Amo as duas! Sério. Na verdade, estou esperando para ter as duas na minha prateleira. Tenho muito orgulho das duas, e mal posso esperar para ver o que os leitores acham, e também saber dos que nunca leram Black Ice qual capa acham que melhor retrata da história. Essa é meio que a melhor parte de uma nova capa – ouvir opiniões dos leitores e fãs.

Você tem alguma capa preferida das que você fez?

Essa é fácil demais. A primeira capa de Hush, Hush é de longe a minha preferida – é a capa que quando eu vejo na estante, tenho a sensação de “Isso é lindo e não consigo acreditar que tive alguma coisa a ver com ela.”

E não vou mentir – não doeu ter passado um dia todo vendo Patch pular sem camisa no trampolim.

 Fale-nos das outras capas que você fez. 

Fiz dezenas! Estou no Simon & Schuster há 12 anos. Algumas das minhas preferidas são as capas de Mara Dyer da Michelle Hodkin, Winger and 100 Sideways Miles de Andrew Smith, todas as capas que fiz para Jenny Han, Since You’ve Been Gone de Morgan Matson, e recentemente We All Looked Up de Tommy Wallach. Tem muitas, na verdade. E estou trabalhando em algumas coisas super legais no momento, também. Comecei a trabalhar agora na capa que deve ser a mais bonita até agora, gostaria de poder dizer mais!

 Becca tem um novo livro que será lançado no final do ano. Você já começou a trabalhar na capa? Pode contar algo pra gente?

Comecei. E estou amando. Mas não posso contar nadinha.

Tradução e adaptação: Hush Hushers – Não reproduza sem os créditos!


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