Por trás do livro

Becca escreveu sobre como começou o processo de escrita dos livros de Hush, Hush em um extra chamado “Por trás do Livro”, que está traduzido abaixo:

Por trás do Livro:

‘Silêncio’ de Becca Fitzpatrick

Se não fosse pela aula de biologia no primeiro ano, e meu professor dedicado mas excêntrico, eu provavelmente nunca teria escrito Hush, Hush. E se não fosse pelo meu aniversário oito anos atrás, eu talvez nunca teria recordado de um incidente em particular na aula de biologia. Três de fevereiro de 2003. Meu aniversário de 24 anos. Depois de um longo debate sobre aulas de culinária japonesa e um curo de oito semanas de escrita, meu marido decidiu me dar as aulas de escrita como presente de aniversário. Tenho que admitir, esperava pela aula de culinária japonesa por que A) fiz um curso de inglês na faculdade e me professor me ameaçou a me reprovar, e B) não achava que tinha uma história pra contar. Para minha surpresa e prazer, me apaixonei pelas aulas e o mais importante, pela escrita. Em uma semana, nosso professor nos deu o dever de criar uma cena que mostrasse humilhação. Fiquei imediatamente impressionada com a memória que me veio de um evento que aconteceu anos atrás, na minha aula de biologia no primeiro ano. Estava sentada sonhando acordada com o cara bonitinho sentado ao meu lado (ah, o ensino médio), o professor pediu que eu falasse na frente de toda a turma as características que eu gostaria que meu parceiro, mais conhecido como companheiro sexual, tivesse. Fale de humilhação! Assombrada por aquela memória, comecei a criar uma cena. Havia uma garota, Ellie (que acabaria sendo Nora), e um garoto, Patch. Havia um professor excêntrico pedindo Ellie, à queima-roupa, para dizer à classe o que ela procurava em um companheiro. Havia risos – muitos risos -, vaias e acima de tudo, humilhação. Não parei por ali. O dever se tornou uma cena totalmente desenvolvida. E então virou um capítulo. Daí dois, três, quatro. E eu estava usando uma linha comum para puxar a história adiante. O muito primitivo, muito biológico, o poder de atração física. A tensão sexual em todas as páginas entre Patch e Nora me encheu de inúmeras questões e idéias. O desejo é puramente físico? O que faz com que duas pessoas tenham uma química instantânea? Como é que duas pessoas sabem que podem confiar um no outro? O que, em nossa composição genética, nos atrai para uma pessoa, e nos adverte para ficar longe de outra ? E se for mesma pessoa? Mandei Hush, Hush pela primeira vez aos editores em 2003. Cinco anos mais tarde, e com uma centena de cartas de rejeição sob a minha cintura, Simon and Schuster balançou meu mundo, oferecendo a publicar não só o livro, mas uma continuação (Crescendo) também. Hoje eu posso olhar para trás e identificar claramente esse dia como aquele que alterou a minha vida para sempre. Há mais altos e baixos agora, e tenho uma perspectiva completamente diferente do tempo: a vida parece disparar nas últimas semanas e meses, e não em horas e dias. O poder de uma única palavra é mais profunda. A leitura tornou-se mais sobre a compreensão e aprendizado do que entretenimento. E enquanto eu ainda tenho dúvidas e inseguranças – Quem sou eu para estar a escrever livros? – estou cheia de confiança e esperança. Eu costumava pensar que se eu pudesse ter qualquer superpoder no mundo, eu gostaria de ter capacidade de ver o futuro. Mas, se eu soubesse naquela época o que faço agora, provavelmente teria sido esmagada até o ponto de falha infalível. Realmente não há palavras para descrever o salto que dei de mãe dona-de-casa vivendo uma vida tranquila e normal para a autora que sou hoje. Embora, para ser justa, a mudança não acontece em um piscar de olhos. Isso é apenas o meu senso distorcido de tempo ficando no caminho de novo. Na realidade, a mudança aconteceu dia após dia, página por página. Na semana passada meu marido e eu estávamos em uma festa e fui perguntada por um conhecido, “Como você fez isso?” E enquanto eu debatida a minha resposta, meu marido respondeu facilmente com a verdade. “Ela se dá tempo. Ela trabalha duro. Ela aprende com seus erros. E ela tem sido muito, muito sortuda.” Eu tenho tido sorte. E eu sou grata por cada última pontinha de sorte que caprichosamente tem estado no meu caminho. Mas também sei que a sorte não é suficiente. ‘Silêncio’ é a conclusão da trilogia Hush, Hush e eu estaria mentindo se eu dissesse que não sinto uma pressão cada vez maior sobre as expectativas dos meus leitores. As provas cada vez mais difíceis que Patch e Nora têm enfrentado ao longo da série tem os  preparado para este momento culminante. Eu posso me relacionar com isso. De muitas maneiras, os desafios que enfrentei ao escrever Sussurro e Crescendo me proporcionaram as ferramentas que eu precisava para escrever Silêncio. Vai ser difícil dizer adeus a esses personagens que lutaram e cresceram bem ao lado de mim, mas eu suponho que é o que há de tão mágico sobre uma história. Ela vive.

Via | Tradução e adaptação: HushHushers.com.br – não reproduza sem os créditos.